Entre tantos, os Barolos!

barolo

Entre tantos, os Barolos!

O que está por trás do grande ícone italiano.

Por Mauricio Shapiro

 

País com a maior quantidade de castas do mundo – fala-se num número difícil de contar, 4.000 – a Itália vem passando por um banho de reorganização para se manter entre os tops de exportadores, pois apesar da  tradição ajudar, os consumidores precisam, cada vez mais,  confiar nos rótulos.

Há hoje vinte regiões administrativas que produzem vinho e contêm zonas vinícolas delimitadas; no total são 315 DOCs (Denominações de Origem) e literalmente milhares de diferentes vinhos produzidos. (como referência, na França são 472 AOCs, atualmente denominadas AOPs)

Impossível, portanto, querer abordar num artigo este mar de informações, daí focarmos, no nosso caso, no Barolo, um dos ícones da vinicultura mundial. E no Piemonte, onde é produzido.

A grande região de Piemonte, no noroeste da Itália, se localiza sob os Alpes (piemonte significa literalmente “aos pés da montanha”). Trata-se da maior região continental da Itália, mas devido a sua geografia, não é o maior produtor de vinhos do país. Mesmo assim, a região tem a maior porcentagem de vinhos classificados – 56% do total de vinhos produzidos no Piemonte levam a designação DOC ou DOCG.

O Piemonte é, sem dúvida, a fonte dos melhores vinhos do noroeste italiano, lar de dois dos seus mais conceituados vinhos, Barolo e Barbaresco. Ambos, muito longevos, feitos 100% com a uva tinta Nebbiolo, são vinhos expressivos mas diferentes, apesar de produzidos em terroirs separados só por alguns quilômetros. O Barolo tendendo para vinho mais austero, e o Barbaresco emitindo nuances florais e de ameixa. Dizem os habitantes locais que o Barolo é um vinho “masculino” e o Barbaresco um vinho “feminino”… Mas, atenção: feminino não significa sem força, e sim delicado e elegante.

O nome da uva Nebbiolo deriva da palavra italiana nebbia, que significa “nevoeiro”, porque amadurece no final do outono, quando as montanhas estão envoltas em névoa. Por causa dessa neblina fria nas encostas, os vinhos se tornam mais austeros e estruturados.

O Barolo tem sido produzido por centenas de anos, e foi talvez o primeiro vinho italiano seco engarrafado e rotulado. Antes produzidos segundo a tradição, para serem consumidos exigiam um período de pelo menos 10 anos para atingirem um paladar perfeito. Mas modernamente, com o uso de novas técnicas de plantio e vinificação, surgiram vinícolas que, como diz um dos seus mais tradicionais produtores, buscam fazer vinhos “com os olhos no futuro e os pés no passado”.

As rigorosas exigências da lei das DOCs no caso do Barolo, obriga que o vinho seja 100% de Nebbiolo, e de uma área restrita. Deve envelhecer pelo menos três anos, sendo no mínimo dois em madeira, e no caso do riserva, o mínimo de cinco. Sua graduação alcoolica é de no mínimo 13%. As regras para o Barbaresco não são muito diferentes. E, enquanto os vinhedos do Barolo encontram-se preferencialmente entre 350 e 400 m de altitude, os do Barbaresco ficam entre 200 e 300 m.

Discute-se muito sobre as correntes de produtores de Barolo. Uma, mais tradicionalista, não abre mão de macerações mais longas, que extraem mais tanino, e nem querem ouvir falar de barricas pequenas, continuam utilizando os grandes tonéis de carvalho esloveno. A outra corrente, com a bandeira de que “tradição é o respeito ao passado; modernidade é uma evolução”, defendem  tintos mais modernos, com mais fruta e menos tanino, e com estágio em barris de 225 litros. Mas, os Barolos que gostamos estão dois lados: sempre um vinho que mexe com nossos sentidos e com nossos neurônios.

Para constatar que toda esta cultura do vinho nos leva mesmo é a um incrível prazer, nada melhor do que bebê-lo!

 

A nossa proposta: Marchesi di Barolo Barolo Cannubi 2011, R$599 | JS 96

Cannubi