Bordeaux – onde tudo deu certo!

Bordeaux

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Bordeaux – onde tudo deu certo!

Por Mauricio Szapiro 

Sempre que penso em Bordeaux, vem aquela inveja (no bom sentido, claro!) do presente que a região recebeu da Natureza. Bordeaux deriva de “au bord de l’eau » (à beira d’água, em francês). Parece que ali se uniram todas as qualidades para fazer um bom vinho: solos, climas e cultura, resultando no que é considerada hoje a maior região produtora e exportadora de vinhos de qualidade do mundo. Além de permanecer como referência para todos os vinhos produzidos com suas uvas, que se tornaram conhecidas pelos “vinhos de Bordeaux”!

 

E aí entra o conceito de terroir, que expressa o conjunto solo e clima.

 

Para começar a falar de Bordeaux atual, peguei carona na máquina do tempo do Hugh Johnson e de seu livro “História dos Vinhos”, e dei um mergulho no passado: fui até os Celtas, que dominavam a região no século 4 aC. Já aí apareciam referências às uvas que depois se tornariam célebres no mundo todo. Guerras e mais guerras, invasões e mais invasões depois, passei ao século 13, quando os vinhos de Bordeaux eram reconhecidos e abasteciam quase todas as adegas da realeza inglesa e de seus súditos mais prestigiados. Além da inegável qualidade dos vinhos desde aquele tempo, a posição geográfica de Bordeaux e seu porto sempre foram fatores fundamentais. 

 

Novo salto na história, chegamos ao século 17, quando a produção dos vinhos estava mais organizada, e apareceu no mercado inglês, numa jogada comercial, o Haut-Brion, o primeiro vinho de Bordeaux vendido com o nome da propriedade que o produzia, o pioneiro de todos os “vins de Château” atuais.

 

E então, foi dada a partida: consolidaram-se os nomes que até hoje nos fazem suspirar ao ver os rótulos: Margaux, Lafite-Rothschild, Mouton-Rothschild, Latour, Cheval Blanc, Petrus …

 

A geografia que abençoou as uvas

 

Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit-Verdot, Sauvignon Blanc, Semillon: o que têm em comum estas uvas ?  Respondo: todas têm sua origem e sua maior expressão relacionada a Bordeaux.

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Entre o Oceano Atlântico e o rio Gironde,  conhecida como margem esquerda (relativa ao curso do rio da nascente para o Oceano) se encontra o melhor da natureza para produzir principalmente a Cabernet Sauvignon, que é, portanto, a protagonista dos cortes. Localiza-se aí, na região do Médoc, o berço de 3 entre os 4 vinhos ungidos com a classificação de 1er Grand Cru Classé. Em 1973, entrou nessa lista privilegiada mais um vinho, o Mouton-Rothschild, também do Médoc.

 

Na área conhecida como margem direita, onde se localiza a cidade de Saint-Émilion, a uva que faz a fama da região é a Merlot, que dá os melhores frutos nos seus solos arenosos e argilosos.

 

 

Classificação dos vinhos de Bordeaux

 

Em 1855, o imperador Napoleão III solicitou que o conselho regulador dos vinhos de Bordeaux estabelecesse uma classificação de qualidade para os inúmeros Châteaux, baseada não só na safra daquele ano, mas também no histórico de sua produção.

Eu acho que a classificação de 1855 foi a precursora das modernas pontuações, com a diferença que aquela se tornou perpétua e, ainda hoje, a produção dos vinhos é acompanhada e regulada por um órgão do governo francês.

 

Muitas regiões que ficaram de fora da classificação original até hoje lutam para terem seus vinhos também reconhecidos oficialmente. E com razão: inúmeros vinhos de Châteaux  não classificados já são reconhecidos há anos entre os melhores do mundo.

 

Afinal, nos últimos 50 anos, os modernos conhecimentos enológicos vêm dando uma mãozinha à Natureza. As informações climáticas, os estudos sobre as videiras e sua poda, o avanço de métodos de vinificação, etc., permitiram que uma quantidade muito maior de ótimos vinhos seja produzida.

 

Apesar da complexidade da classificação dos vinhos de Bordeaux, a que se perpetuou foi a de 1855. Ao longo do tempo, surgiram outras, que continuam em evolução, assim como o mercado dos vinhos. Listo abaixo alguns dos nomes encontrados nos rótulos de Bordeaux, lembrando que quanto menor a região de origem, maior a chance de encontrar bons vinhos.

Não é nosso objetivo esgotar todos os aspectos dos vinhos de Bordeaux, pois essa é apenas uma primeira pincelada.  

 

Grand Cru Classé

Dentro da classificação original de 1855, de 1er a 5eme Grand Cru Classé: 61 Châteaux e vinhedos. O termo Cru vem do verbo croître, no sentido de crescido, criado, normalmente numterroir excepcional.

 

Appellations contrôlées (Denominações de Origem)

 

Denominações Genéricas: Vinhos produzidos com uvas provenientes de qualquer parte de Bordeaux, até mesmo em corte de diferentes sub-regiões. Ex: Appelation Bordeaux Contrôllée, Bordeaux Supérieur, etc.

 

Denominações Regionais: Vinhos produzidos com uvas de uma sub-região de Bordeaux, e que trazem no rótulo o nome desta sub-região. Ex. Appellation Graves controllée.

As principais são Graves, Pessac-Léognan, Pomerol, St.-Émilion, Sauternes e Barsac. São dignas também de nota, com vinhos às vezes bem interessantes: Côtes de Bourg, Côtes de Castillon, Entre-Deux-Mers, Fronsac, Premières Côtes de Blaye, Fronsac, Listrac.

 

Denominações Comunais: Aplicam-se a 6 comunas do Haut-Médoc : Saint-Estèphe, Pauillac, Saint-Julien, Margaux, Moulis e Listrac. Ex. Appellation Margaux Contrôllée, etc.

 

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