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Vinho Laranja por Rodrigo Albuquerque MSc

 

Vinho laranja

Quem se interessa por vinho e acompanha o assunto, seja na imprensa, seja em blogs, já deve ter percebido que ultimamente muito se fala em vinho laranja.

De fato, este tipo de vinho tem sido o queridinho de sommeliers, jornalistas e enófilos. Não só por conta de sua cor, mas também por sua complexidade que encanta.

E você? Conhece vinho laranja?

Primeiramente, há que se falar que a categoria vinho laranja não existe tecnicamente. Alguns dizem que a expressão foi criada pela imprensa especializada, outros afirmam que ela surgiu numa carta de vinhos de um restaurante em Nova Iorque, que queria diferenciar seus brancos dos orange wines.

O fato é que vinho laranja é um vinho branco. A cor laranja – ou âmbar, como preferem os mais puristas – surge através do contato prolongado entre o mosto (suco da uva) e as cascas da uva durante a maceração. Ou seja, vinho laranja nada mais é que um vinho branco vinificado como se fosse tinto.

Mas não é só cor que este processo agrega ao vinho. Ele confere também outras características que são mais comumente encontradas em tintos, especialmente por trazer os polifenois e os taninos. Isto torna o vinho mais complexo, rico, encorpado e, por vezes, até tânico, possibilitando, inclusive, sua harmonização com pratos mais pesados, antes restritos aos tintos.

Aliás, por conta da complexidade e estrutura desses vinhos, a dica é consumi-los em temperatura mais elevada que a dos brancos leves. Algo em torno de 15°C seria o ideal para que não se perca sua riqueza de aromas.

Por mais que tenha voltado à cena recentemente, o vinho laranja nos remonta aos métodos ancestrais de vinificação, mesmo porque, há até pouco tempo não havia equipamento ou tecnologia que possibilitasse, por exemplo, o desengace cuidadoso dos cachos ou a filtragem minuciosa do vinho, métodos privilegiados pela enologia moderna. Durante muito tempo, as uvas eram colocadas e espremidas dentro de ânforas de terracota, que geralmente ficavam enterradas no solo, pois neste meio as alterações de temperatura são menos bruscas. E lá ficavam até que o vinho ficasse pronto. Por isso mesmo os vinhos laranja costumam ser rústicos, turvos e bastante complexos.

Vinhos laranja vinificados em ânfora ainda são comuns em alguns lugares. O Leste Europeu é certamente uma referência neste estilo. É em países como Geórgia, Eslovênia, Croácia e a região italiana do Friuli que são produzidos as laranjas mais emblemáticas.

E é do Friuli que trazemos dois excelentes exemplares de vinho laranja:

Breg Anfora Gravner 2006 – Josko Gravner é um ícone desse estilo de vinificação. Seus vinhos permanecem por muitos anos em ânforas antes de ser engarrafados. Depois ainda descansam por um bom tempo em garrafa até ser comercializados, totalizando um período de 7 anos entre a colheita e a venda. Este vinho, uma das joias de Jorsko, é composto por Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling Itálico e Pinot Grigio. Apresenta notas herbáceas, como tomilho e alecrim e aromas de cera e fruta seca, além de toques de uma bem-vinda oxidação. Mostra, ainda, uma agradável mineralidade. Na boca, é encorpado e acompanha facilmente pratos mais pesados, especialmente os mais complexos.

Malvasia Zidarich 2011 – também localizado no Friuli, o Carso italiano, Benjamin Zidarich revolucionou a propriedade de sua família, resgatando variedades nativas da região, como a Vitovska e a Terrano e focando no potencial do terroir, cujo solo é composto basicamente por rochas e uma finíssima camada de terra. Com uma produção de apenas 4 mil garrafas, este vinho é turvo e apresenta cor laranja intenso. É bastante aromático, com muito floral como jasmim, além de frutas como pêssego, cítricos e casca de laranja. Na boca apresenta uma textura quase tânica (para um branco). Tem uma incrível complexidade.